Como o Brasil é visto desde fora

Como o Brasil é visto desde fora

Jul 06

Faz alguns anos atrás, eu respondi à uma pergunta que foi feita aos leitores do jornal O Globo na internet: “Como o Brasil é visto pelos jornais americanos?”

Eu respondi que eu não podia falar sobre os jornais americanos, mas que vivendo na Espanha, imágem do Brasil, além de ser o país do futebol, carnaval e prostituição, a mídia espanhola distorce a percepção do Brasil e de outros países do terceiro mundo, principalmente dos países que foram colonizados pela Espanha. Uma enchente com mortes num país latino-americano é diferente se a história acontece, por exemplo, na Alemanha. Para os espanhóis os latinos são tratados como uns pobres coitados, que sem a ajuda da Espanha eles não tem como sair do atoleiro.

Além disso quantas vezes eu vi na TV e em jornais informações errôneas sobre o Brasil: todo o brasileiro é carioca ou que o Pantanal fica no meio da Amazônia…

Ou de pessoas de todas as partes ao saber que eu sou brasileira me perguntarem: “O Brasil fica acima ou abaixo do Equador?”, ou o comentário “Brasileira? Ah! Pois eu conheço uma venezuelana…”

Depois de viver vários anos em Barcelona, fui viver em Miami. Eu estava lá no dia 9 de setembro, no dia dos ataques às torres gêmeas em Nova Iorque, vendo a TV americana dizendo que não poderiam informar aos cidadãos americanos onde se encontrava o presidente por problemas de segurança, mas que ele estava seguro no Airforce One sobrevoando alguma área dos EUA, eu dei risada, já que através da internet se podia ver em jornais europeus a localização exata do Bush!

Comentando com uma senhora que não se tinha notícias sobre outros países, só o que estava diretamente relacionado com os EUA, ela me respondeu com a pergunta: “Pra que você quer saber sobre o Afeganistão? Está tão longe!”

O que responder para uma pessoa que vê o mundo dessa forma?

Informação é tudo!

Vivendo fora do Brasil desde 1990 (uau! tanto tempo!) eu poderia continuar contando histórias parecidas, mas na minha experiência, nós brasileiros também temos, como todo o resto do mundo, idéias pré-concebidas sobre muitos outros países e culturas… A tendência de condenar certas atitudes por que a nossa cultura é diferente é normal, mas eu aprendi que por mais que eu não concorde com certa mentalidade cultural, ao estar no país dos outros devemos respeitar e aprender o máximo pra pelo menos não cometer as mesmas gafes citadas acima…

Comento tudo isso porque acabo de ver um vídeo de uma escritora nigeriana, Chimamanda Adichie, que nos conta o perigo de uma história única. Vale a pena ver…

E agora que estou a caminho de Xangai, lhes pergunto “o que vocês sabem sobre a China e a sua cultura?

Castellers

Castellers

Aug 25

Qual a diferença entre essas duas imágens? A resposta é que a da esquerda é um castell feito em Mumbai, Índia e a da direita em Barcelona, Espanha.
Segundo “Salvat Català”, os “castells (castelos) são torres formada por homens montados um em cima das costas dos outros em um jogo acrobático. A origem dos castells parece que remonta a uma torre humana que se formava no final a festa ball de valencians. Os primeiros castells datam do final do século XVIII, nas zonas de Camp de Tarragona e do Penedès…
Mas na Índia, a origem é diferente, vem da celebração do Janmashtami, nascimento de Lord Krishna e inclue numerosas cerimônias como Raslila, Jhankis, etc. Os castells aqui são conhecidos como cerimônia do Dahi Handi, que é uma encenação dos esforços do Lord Krishna para roubar a manteiga de um pote de barro (Matka) pendurado no teto.
A celebração é feita no segundo dia do Janmashtami. Um pote de barro contendo uma mixtura de leite, frutas secas e ghee (manteiga clarificada) é pindurada numa corda numa altura de 6 a 9 metros. Moedas prateadas são colocadas ao longo da corda que é distribuida como prêmio aos ganhadores que conseguem quebrar o pote. Os devotos do Lord Krishna acreditam que quebrando o pote de barro, afastam os ratos e energias negativas das suas casas.
Dahi Handi é celebrada com fervor especialmente nas cidades de Mathura – Vrindavan, Dwarka e Mumbai (onde grupos de jóvens saem cantando e gritando Govinda Ala Re Ala (Aqui vem Govinda ou Krishna).
Dois países unidos por uma mesma tradição com origens diferentes. Segundo Jitendra Awhad, presidente do Sangharsh em Mumbai, um grupo de 78 espanhóis virão à Thane para competir contra os times locais. No ano passado, eles também foram convidados à esta celebração, além de enviar um time indiano à Espanha.
Este ano os grupos competem pelo prêmio de Rs. 21 lakhs (210.000,00 rupias), equivalente à uns 7.810,87 reais.

Caldo de galinha

Caldo de galinha

Feb 27

Todo mundo me pergunta como vai a minha adaptação aqui na Índia, o que a maioria das pessoas que nunca moraram fora do seu próprio país não se dá conta é que o processo de adaptação é longo e depende de como você interage com as pessoas do país.

Mas na minha opinião, a parte mais difícil está em descobrir onde encontrar as coisas do dia-a-dia.

Quando na escola da minha filha pediram para trazer uma toca de piscina, me perguntei “aonde é que eu encontro isso?” Ou mesmo quando vou ao supermercado, eu não posso esperar encontrar exatamente as mesmas coisas que eu estou acostumada a encontrar no meu país.

Me lembro que quando me mudei pra Miami, eu passava horas no supermecado lendo as embalagens, pois ao não conhecer as marcas, você não pode saber se aquele produto que você precisa leva cândida ou não…

Aqui na Índia não é diferente. Tem muitas coisas que eu não encontro, talvez existam, mas vou ter que perguntar pra outros estrangeiros se eles já viram o produto por aqui.

Às vezes é uma questão de embalagem, como na imágem acima do caldo de galinha, no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos ela vem numa caixinha de papelão e são cubos, pois aqui eles vem numa embalagem de plástico e em pequenas embalagens que mais parecem embalagem de bala.

Nós estamos muito acostumados com um tipo embalagem, mas quando ela muda, bagunça todos os nossos esquemas. Pois aqui tem leite longa vida de cor laranja e óleo que vem em bolsas de plástico!…